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O papel do design em sistemas com Inteligência Artificial

O design ocupa um papel central na construção de produtos digitais. Mas qual é o papel dessa disciplina em sistemas com inteligência artificial?  Antes de…

Tempo de leitura: 6 min

O design ocupa um papel central na construção de produtos digitais. Mas qual é o papel dessa disciplina em sistemas com inteligência artificial? 

Antes de responder a essa pergunta, é preciso entender primeiro o que torna um design um bom design, e quais são as características que diferenciam um bom design de um design ruim.

A Paola Antonelli disse uma vez que um bom design é um exercício que combina tecnologia, ciências cognitivas, necessidades humanas e estética para produzir algo que o mundo sequer sabia que precisava. Essa definição é muito interessante, principalmente pela forma como ela se encaixa nos princípios do HCD (em inglês, Human Centered Design, ou em tradução livre, Design Centrado em Humanos), uma das principais correntes dentro da interação homem-máquina.

O que é um bom design?

Primeiro, temos a tecnologia, que nos permite construir coisas, sejam elas um objeto físico ou digital. Depois, temos a ciência cognitiva, que torna o produto acessível para as pessoas. 

Ela identifica pontos que podem ser percebidos como familiares e os usa a seu favor. Se você já tentou usar algo, mas não sabia sequer como começar ou como manusear, então você já teve contato com um design ruim.

Continuando, temos as necessidades humanas. Esse talvez seja o ponto chave: todo design é uma resposta a uma necessidade. 

Um design só existe, ou melhor, um bom design só existe, porque havia um problema a ser resolvido para alguém. Como Don Norman diz, um bom designer é primariamente um identificador e solucionador de problemas. A questão chave é identificar o problema certo a ser resolvido e entender como as pessoas vão usar o que você está construindo para resolver esse problema.

Por último, temos a questão da estética. Esse talvez seja o ponto mais mal entendido sobre o papel do design: muitas pessoas acreditam que design é uma adição feita ao processo, algo que é acrescentado no final para deixar as coisas bonitas. 

Na verdade, design é o processo, é a pesquisa sobre:

  1. o problema que queremos resolver
  2. o sistema em que ele está inserido
  3. as pessoas envolvidas em cada etapa e que vão usar o que você está construindo

A estética é importante – afinal, somos naturalmente atraídos por coisas bonitas e agradáveis, mas é apenas um ponto relevante entre vários outros.

O design na Inteligência Artificial

O primeiro papel do design é garantir que aquilo que estamos construindo possa resolver o problema principal. No caso de produtos de Inteligência Artificial, precisamos dar um passo além e nos perguntar “Usar a inteligência artificial é a melhor forma de resolver esse problema?” 

Esse talvez seja o passo mais importante de todos: um erro nesta etapa significa que corremos o risco de gastar tempo, dinheiro e recursos criando uma super ferramenta para resolver algo que sequer é um problema.

Mais adiante, é preciso pensar em como o produto vai ser formatado e como as pessoas vão se relacionar com ele. É papel do designer garantir que os usuários entendam como ele funciona e o que pode ou não ser feito com o produto. 

Com relação a Inteligência Artificial, pensar quais aspectos precisam ser apresentados para o usuário e a melhor forma de fazer isso são questões que não podem passar em branco.

Como lidar com os aspectos imprevisíveis de Inteligência Artificial e Machine Learning? Como lidar com questões de transparência ou controle do sistema? Qual a melhor forma de explicar para o usuário como o sistema funciona, e o que ele pode esperar desse funcionamento?

Essas perguntas (e várias outras) são importantes para evitar o risco de não atender as expectativas do usuário, gerar frustração, mal uso ou abandono.

Em um artigo do Google que aborda o desenvolvimento de uma API para detecção de objetos, os autores contavam que, durante a demo, o tempo de resposta da API para reconhecer um objeto praticamente não tinha latência ou delay, ou seja, ela reconhecia quase que imediatamente os objetos assim que eles eram colocados em frente a câmera. 

Em um primeiro momento, isso pode parecer um grande sucesso, mas na verdade, levava à uma péssima experiência de uso, porque a velocidade com que os objetos eram reconhecidos deixavam os usuário em dúvida se o processo tinha sido bem sucedido ou não. 

Vários usuários acreditavam que algo de errado havia acontecido, pois eles não esperavam que a máquina reconhecesse os objetos de forma tão rápida.

Isso levanta uma pergunta interessante: É necessário priorizar a forma como os usuários esperam que a tecnologia funcione, para que dê tempo deles entenderem e confiarem no que a máquina está fazendo, mesmo que isso signifique sacrificar a velocidade?

Isso torna o trabalho do designer um desafio enorme, justamente por ser algo tão novo e com tanto potencial.

O dia a dia no desenvolvimento de produtos digitais

O lado bom do designer estar presente em todas as etapas de desenvolvimento é que os dias nunca são parados ou monótonos. 

É necessário estar sempre lado a lado com as outras áreas, para garantir que todos estejam bem alinhados, pois o trabalho junto com o time de Produto garante que aquilo que estamos construindo atende às reais necessidades dos nossos usuários. 

Já com o time de Desenvolvimento Técnico, precisamos discutir se a solução que encontramos de fato pode ser feita e qual a melhor forma de fazer aquilo acontecer. Não adianta nada criar uma solução fantástica junto com o time de Produto se ela for impossível de ser programada. 

O trabalho com o time de Marketing garante que tudo aquilo que está sendo feito seja apresentado da melhor forma para o nosso público. Os benefícios estão claros? Os clientes entendem nosso produto e como ele soluciona o problema?

E por fim, trabalhando próximo dos times de Venda e Suporte, estamos sempre a par sobre o que os clientes trazem no dia a dia. Com isso, podemos entender melhor algumas dúvidas ou dificuldades que eles estejam enfrentando e levar esses pontos para o time de Produto, para que sejam estudados e possivelmente, endereçados em um novo update.

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